Conheça os principais cuidados de combate à asma

combate à asma

Estima-se que a asma acometa cerca de 150 milhões de indivíduos em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a 8ª posição mundial em prevalência da doença, variando de 10 a 20%, de acordo com a região e da faixa etária consideradas. A elevada frequência em crianças, observada na última década, prevê o aumento dos casos de asma nos próximos anos, a não ser que sejam tomadas medidas preventivas.

O que é asma?

De acordo com Renata Viana, médica pneumologista e professora do Curso de Medicina da Universidade do Vale do Itajaí (Univali/SC), a asma é caracterizada pela inflamação crônica e hiperresponsividade das vias aéreas. “A doença decorre de fatores genéticos, da imunidade, do sexo e, da exposição a alérgenos, infecções, tabagismo, poluição e alimentação. Os sintomas são tosse, chiado, falta de ar, sensação de aperto no peito e dor torácica, que variam em relação à intensidade e tempo, conforme o grau de obstrução das vias aéreas”, explica a especialista.

Além de serem provocadas por agentes alérgenos como ácaros da poeira, de animais domésticos, roedores, insetos e fungos, as crises de asma também podem ser provenientes de alergias alimentares. “A alergia alimentar pode se manifestar com sintomas respiratórios semelhantes aos da asma, mesmo em pessoas sem histórico da doença. A coexistência de asma em pessoas com alergia alimentar é um fator de risco para reações mais graves. Um estudo feito nos Estados Unidos mostrou que amendoim e nozes foram os alimentos que mais causaram anafilaxia em pacientes asmáticos”, comenta.

Embora a asma não tenha cura, com o tratamento adequado, o paciente mantém a doença sob controle e na grande maioria dos casos, consegue levar uma vida normal.

O Diagnóstico e o Tratamento

Conforme orientação da pneumologista, o diagnóstico é realizado através de uma entrevista clínica, exame físico, realização de prova de função pulmonar (espirometria) e radiografia de tórax para exclusão de outras doenças.

O tratamento consiste em medicações de manutenção, que devem ser utilizadas todos os dias, mesmo nos períodos sem sintomas da doença. E medicações de crise, que devem ser usadas para aliviar os sintomas em períodos de piora clínica. As medicações de manutenção, usualmente, reduzem a inflamação e mantém os brônquios abertos. As medicações de crise servem para dilatar os brônquios e aliviar os sintomas. No entanto, não interferem na inflamação. “Utilizar apenas as medicações de crise implica em aumentar o risco de crises graves, internações e até óbito”, alerta a médica Renata Viana.

Fisiotearapia no tratamento da asma

Vanessa Vasconcellos, fisioterapeuta e coordenadora da equipe multidisciplinar da At Home Niterói, acrescenta que a fisioterapia atua de maneira conjunta às medicações, auxiliando na diminuição da intensidade e frequência dos episódios de asma, através de técnica de higienização brônquica, reexpansão pulmonar, exercícios para aumentar a capacidade pulmonar e fortalecimento da musculatura torácica. Nesses casos, “o tratamento domiciliar torna-se mais vantajoso, pois o paciente estará sempre perto de sua família, tornando o tratamento mais humanizado”, indica a fisioterapeuta.

O que fazer em casos de crise?

Quando o paciente apresenta piora dos sintomas, a médica Renata Viana ressalta que deve-se realizar o tratamento de crise, conforme orientado pelo médico assistente. Normalmente, estão indicados os broncodilatadores de curta ação, em forma de aerossol (bombinhas) ou gotas para inalação. Em caso de persistência dos sintomas após a realização das medicações de resgate, a pneumologista aconselha que o paciente seja imediatamente encaminhado ao seu médico assistente ou, ao pronto socorro mais próximo.

Grupos de risco

A coordenadora da equipe multidisciplinar da At Home, Vanessa Vasconcellos, ressalta que as crianças são duas vezes mais atingidas pela asma que os adultos. Quando apresentam alergia alimentar, o risco de desenvolver asma é ainda maior. Segundo a fisioterapeuta, pessoas que tem o fator da hereditariedade, alérgicas, com sobrepeso ou obesidade também tem grandes chances de desenvolver asma.

Cuidados e possíveis complicações

“O conselho para quem tem asma é exercitar-se moderadamente todos os dias, sem cometer excessos. A asma não deve limitar a vida ou a atividade física de ninguém. Inicialmente deve-se evitar exercícios físicos muito vigorosos e prolongados, porque eles podem provocar falta de ar. O ideal é começar com atividades leves ou moderadas, e aumentar gradualmente a dificuldade e o tempo dos exercícios para ajudar a controlar a asma, como caminhadas, andar de bicicleta, natação e futebol. Além de praticar exercícios respiratórios”, comenta a fisioterapeuta.

Em relação às complicações, a pneumologista Renata Viana adverte que, quando a asma não é tratada de maneira adequada, o paciente pode apresentar sintomas diariamente, piorando a qualidade de vida, podendo apresentar quadros de exacerbações frequentes, internações, e inclusive o óbito. Além do uso correto das medicações, a especialista orienta que é importante manter controladas outras doenças, como rinite alérgica e refluxo gastroesofágico. E, tomar alguns cuidados em relação ao ambiente, como:

  • Manter a casa arejada;
  • Substituir a vassoura por aspirador de pó ou pano úmido;
  • Utilizar capas antiácaros nos travesseiros e colchões;
  • Diminuir o acúmulo de roupas no armário (dificultam a circulação do ar e favorecem o surgimento de mofo);
  • Evitar que animais de estimação fiquem em cima da cama e do sofá;
  • Eliminar tapetes e cortinas de pano (acumulam poeira e ácaros);
  • Não fumar ou permanecer em ambientes com fumaça de cigarro.

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