A importância do Diretor Médico no atendimento Home Care

foto diretor médico at home

Luiz Santoro Neto formou-se em medicina, em 1999, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é especialista em Administração Hospitalar pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Além de possuir o título de Especialista em Medicina Preventiva pela Associação Médica Brasileira (AMB), foi condecorado, em 2016, com o grau de Comendador da Soberana Ordem do Mérito da Saúde. Sempre em busca de conhecimento, Luiz é apaixonado pela profissão e utiliza a medicina como ferramenta para ajudar e cuidar das pessoas. Fique por dentro das funções de um Diretor Médico no atendimento Home Care.

Qual o papel do diretor médico no atendimento Home Care?

R: O Diretor Médico tem uma função bastante ampla em uma empresa de Home Care, subdividida por áreas de atuação. A primeira, e mais óbvia de todas, está relacionada à assistência. E não somente à assistência médica, mas, sim, multiprofissional. Ele deve dirigir, organizar e orientar todas as atividades assistenciais, garantindo o devido registro documental da assistência, promovendo interação multidisciplinar entre os vários profissionais de saúde, tendo por objetivo primordial o alcance da melhor assistência possível ao paciente. Neste ínterim, são realizadas atividades de discussão técnica envolvendo todos os profissionais da saúde, a fim de que os casos sejam discutidos e avaliados por todos, trazendo soluções integradas para eventuais problemas. Dentro deste escopo, ele também conduz atividades de treinamento e capacitação, elaboração e implantação de protocolos técnicos e processos de trabalho, assim como apoio contínuo e constante para todas as áreas que se relacionam com a assistência. Tais ações estão focadas na qualidade do serviço e na segurança do paciente. Ou seja, trata-se de posição de liderança assistencial, na qual não somente os médicos podem se apoiar e se orientar, mas, também, todos os demais profissionais de saúde. O Diretor Médico também pode ser acionado para conduzir soluções de conflitos que ocorram interna ou externamente à empresa, sendo uma referência técnica, inclusive para familiares e pacientes. Outras atribuições do Diretor Médico são: relacionamento com contratantes (sejam Operadoras de Saúde ou clientes particulares), relacionamento com médicos e profissionais assistentes externos à empresa, planejamento estratégico da empresa, gestão do RH assistencial, apoio técnico à área administrativa, perspectivas de novos negócios. Em suma, ele é o responsável pela Governança Corporativa da empresa.

Do ponto de vista médico, quais os benefícios para o paciente em realizar o tratamento em casa?

R: Muitos são os benefícios do tratamento domiciliar. O fato de o paciente não se encontrar dentro do ambiente hospitalar é de extrema relevância por não expô-lo aos microrganismos hospitalares, que estão associados às infecções hospitalares resistentes. Muitas das condições clínicas crônicas aumentam a susceptibilidade dos pacientes às infecções, e este é um problema de ordem mundial. Manter o tratamento em casa, e diminuir ao máximo a presença de pacientes crônicos e debilitados dentro do ambiente hospitalar, reduz significativamente a ocorrência de infecções hospitalares por germes resistentes. Outro fator importantíssimo do tratamento domiciliar se fundamenta no conforto psíquico e emocional do paciente, que se vê sendo cuidado no próprio lar. O acalento de familiares e amigos, o reconhecimento de seu local de habitação, e a proximidade de seus pertences, trazem conforto e tranquilidade para o paciente e para a própria família.

Há quanto tempo você trabalha na At Home? Quais os maiores desafios desde que começou a trabalhar na empresa?

R: Minha primeira atuação na At Home ocorreu em 2011, quando ocupei a posição de Coordenador Médico por quase dois anos. Agora, em 2018, retorno para ocupar a posição de Diretor Médico. Meu maior desafio é garantir a satisfação dos clientes corporativos (Operadoras de Saúde) e dos clientes físicos (pacientes e familiares). Tal satisfação tem de ser fundamentada em uma prestação de assistência de qualidade, sempre focada no paciente e nas suas necessidades, pautada em ética, responsabilidade, comprometimento e dedicação. É muito importante conduzir todos os processos de forma transparente e direta, garantindo os preceitos legais do exercício da Medicina e da assistência em saúde. O grande desafio está em garantir a unificação plena de toda a equipe em torno desta cultura de excelência. Não por imposição, mas por entendimento que este é o único caminho viável para o alcance da qualidade e segurança assistencial.

Teve alguma experiência marcante?

R: Muitas são as experiências marcantes em Home Care. Entramos, literalmente, na vida das pessoas. Em alguns momentos, diante de situações devastadoras nas vidas das famílias. Penso que o mais marcante de tudo que acontece neste tipo de trabalho é conseguir manter o equilíbrio entre indicação técnica e envolvimento emocional. Muitas vezes, nos deparamos com histórias comoventes e extremamente sensíveis, que desafiam nosso grau de humanidade. Durante sua formação acadêmica, o profissional de saúde é ensinado a não se envolver emocionalmente com seus pacientes/clientes. Até por isso, os Conselhos de Classe recomendam não haver envolvimento profissional na assistência aos familiares. Sabemos que, na prática, isto é muito difícil. Sempre há algum envolvimento emocional, devido à nossa condição humana. O que eu costumo dizer é o seguinte: reserve seu momento técnico, e seu momento humano. Haverá momentos para o exercício de ambos. Seja amigo quando for preciso, acolha a desabafo, acalente o desespero, estenda a mão, dê o abraço. Dê o que há de mais humano e carinhoso no cuidado ao paciente e ao familiar. Mas nunca deixe de lado o aspecto técnico, principalmente no momento de decisão. São os aspectos técnicos que devem nortear a tomada de decisão e as definições de conduta dos pacientes. E, sim, é possível fazer isto de forma humana e acolhedora, até mesmo nos momentos mais difíceis. Talvez, por isso, muitos dizem que a assistência em saúde tem muito de arte, ou até mesmo, de dom. Eu entendo que este processo é algo que se constrói e se aprende, basta se ter a boa vontade para tal. E é isso que estamos fazendo aqui, fortalecendo e consolidando aspectos técnicos da assistência em saúde, para que sejam aplicados com carinho, conforto e acolhimento aos nossos pacientes.

O que você tem a comemorar na parceria com a At Home?

R: Meu retorno à At Home após alguns anos é um feliz reencontro. Aqui deixei amigos, e rever estas pessoas é muito satisfatório e prazeroso. Assim como, conhecer novos profissionais e seus potenciais, é, por deveras, estimulante. Eu adoro trabalhar com pessoas, foi isso que me fez escolher ser médico: ajudar o próximo. Quando você encontra pessoas e uma empresa que têm por preceito a mesma essência que a sua, a sinergia é inequívoca e imediata. Minha comemoração na parceria com a At Home estará fundamentada pelo trabalho que está sendo feito, e no muito que ainda está por vir. Que seja calcada nos agradecimentos e nos sorrisos daqueles à quem amenizamos as dores e trazemos a dignidade da vida, que por ventura tenha se perdido. É na satisfação daqueles que atendemos, que desejo comemorar minha nova parceria coma a At Home. Não há nada mais recompensador, para mim, do que poder amenizar a dor e o sofrimento de alguém.


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